Sílvia Domingos pela 1ª vez presente na qualificação do Euro Sub-17

A árbitra algarvia Sílvia Domingos foi nomeada pela primeira vez para para dirigir jogos do Apuramento do Campeonato da Europa de Sub-17, na condição de árbitra principal .

Nomeações Árbitros LPFP

Confira as nomeações dos árbitros da Liga ZonSagres e Orangina

Nomeações Árbitros FPF

Confira as nomeações dos árbitros dos campeonatos nacionais de seniores e camadas jovens

Pedro Proença: «Está limpa a imagem do Apito Dourado»

Pedro Proença comentou, esta terça-feira, a sua passagem pelo Campeonato da Europa.

Análise de época da FPF: Eugénio Arêz desce à terceira categoria nacional

Eugénio Arêz ficou a saber, que foi despromovido à terceira categoria, terminando no 31º lugar da classificação dos árbitros.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Pedro Proença: "Dirigentes têm visão muito curta"

Pedro Proença acha inconcebível que os juízes portugueses continuem num registo amador no futebol actual e critica a inoperância de Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem. Garante que nunca foi pressionado.

Correio Sport – A Liga pretende que os árbitros sejam avaliados com recurso a imagens televisivas, além dos observadores. Concorda?
Pedro Proença – Aceito essa medida, desde que os mesmos meios estejam ao dispor dos clubes da Liga e da Honra.

- Vítor Pereira deveria sair da Comissão de Arbitragem por não ter implementado a profissionalização?
- Se esse era um dos pilares fundamentais do projecto de Vítor Pereira para a Comissão de Arbitragem da Liga e partindo do pressuposto que não lhe foram dadas condições para o implementar, acho que não deveria continuar. Afinal, está num projecto que não é o dele.

- A profissionalização é inevitável?
- Sim. Mas os dirigentes do futebol português não a querem, pois são pessoas de visão muito curta. Não conseguem pensar o futebol a médio e longo prazo. Se assim o perspectivassem perceberiam que se querem vender um espectáculo apetecível para as pessoas têm de credibilizá-lo. É inconcebível que no futebol actual toda a gente seja profissional, desde o roupeiro ao presidente, enquanto a arbitragem, que tem tanta responsabilidade, continue amadora.

- Ganha mais como director financeiro ou como árbitro?
- No meu emprego.

- Se a arbitragem fosse profissionalizada no próximo ano, deixava o seu emprego?
- Nunca abdicaria do meu emprego para ser um árbitro exclusivamente profissional. Tenho 40 ano e a carreira dos árbitros acaba aos 45.

- Com a profissionalização, os árbitros poderão estar mais protegidos da pressão dos clubes?
- Penso que sim, mas isso parte de quem organiza os campeonatos. Na UEFA ou na FIFA, as equipas de arbitragem são uma continuação da organização. Essa protecção não acontece em Portugal.

- Em média, quanto ganha um árbitro por mês?
- Um jogo da Liga dá 1000 euros, na Honra dá 500. Se apitar dois da principal e mais dois da segunda dá 3 mil euros/mês.

- Acha que muitos dos seus colegas deixavam o emprego por 3 mil euros?
- Recebemos pelos jogos que fazemos. Um trabalhador dependente ganha o mesmo rendimento durante 14 meses e está protegido pela Segurança Social. Nós não. Somos prestadores de serviços a recibo verde. Se estivermos lesionados não recebemos. E se precisarmos de um médico, pagamos nós.

- Que análise faz a 2010/11?
- Os árbitros estiveram muito bem. Não foi pelas arbitragens que se decidiu o campeão e quem desceu de divisão.

- Ficou em 1º lugar no ranking dos árbitros...
- É sinal de que tive a fortuna de ter tido performances mais positivas, mas não sou o melhor nem de longe nem de perto.

- Se pudesse, o que mudava já esta época?
- Avançava com a profissionalização da Comissão de Arbitragem e de todos os seus técnicos.

-Já foi pressionado ou recebeu algum telefonema?
- Nunca. Quem está pressionado é quem ganha o salário mínimo nacional.

- Há algum campo onde se sinta mais pressionado?
- Há jogos que, pela sua envolvência, exigem mais de nós, caso dos dérbis.

- Nunca fugiu de jogadores, como aconteceu com José Pratas num FC Porto-Benfica, em Coimbra?
- Isso depende das personalidades. Eu não fujo de ninguém. Falho muitas vezes, mas não fujo.

- Os árbitros deviam pedir desculpa pelos seus erros?
- Somos humanos e falíveis. Só vemos 80 por cento do que se passa no jogo. Pedir desculpa não serve para nada.

- Os comentadores televisivos passam-lhe ao lado?
- Têm de passar, não há outra forma. Caso contrário, andava todos os dias a Xanax. Só dou importância às pessoas que me merecem importância.

- Passa mal a noite quando comete erros?
- Já passei, quando era mais jovem. Agora não, pois tenho mais experiência. Entro sempre para falhar o menos possível.

- Costumam ‘chateá-lo’ no emprego pelos erros?
- Felizmente tenho um cargo de destaque e as pessoas tratam--me de maneira diferente. Mas o futebol mexe com as pessoas. Há que aceitar o facto de não termos um papel simpático.

- Estuda os jogadores antes das partidas?
- Fazemos um ‘scouting’ exaustivo. Faz parte da preparação. Serve para antecipar os cenários.

- Concorda com os cinco árbitros por jogo?
- As pessoas não percebem a importância dos árbitros de baliza porque eles não fazem gestos, apenas comunicam. Mas ajudam muito. Uma vez não vi um penálti e o árbitro de baliza deu-me essa indicação.

- Concorda com a tecnologia na arbitragem?
- Concordo com tudo o que eleve a verdade desportiva.

- Prefere a verdade desportiva ou conviver com a emoção do erro?
- Prefiro a verdade desportiva.

- É mais difícil apitar o Benfica, o FC Porto ou o Sporting?
- São todos difíceis pela força dos seu adeptos. Tudo depende da classificação e da expectativa das equipas no momento.

PERFIL
Pedro Proença Oliveira Alves Garcia nasceu em Lisboa há 40 anos, a 3 de Novembro de 1970. Árbitro desde 1988/1989, não pensa continuar neste ramo quando colocar um apito final na carreira, em 2016: "Já não tenho 20 anos. Agora tenho outras prioridades. Já chega". É solteiro e trabalha numa empresa de Gestão de Resíduos, como director financeiro. Ao ‘Correio Sport’ revelou que a sua viagem mais espectacular ao serviço do futebol teve como destino o Cazaquistão, num jogo com a Ucrânia, enquanto o campo mais difícil onde arbitrou foi em Braga, num encontro da II.ª Divisão. "Era um dérbi entre o Joane e o Famalicão. Foi muito intenso", lembrou.

In: Correio Sport

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nuno Almeida presente na 1ª Acção de Formação para Árbitros da Liga

Os árbitros e árbitros assistentes da Liga entram apartir do próximo dia 20 de Julho em estágio referente à 1ª Acção de Aperfeiçoamento e Avaliação dos Árbitros e Árbitros Assistentes da 1ª Categoria Nacional para 2011/2012.

O primeiro grupo de árbitros encontra-se a partir do dia 20 no Hotel  Templários na cidade de Tomar. No dia seguinte juntam-se a estes os árbitros assistentes.

Assim Nuno Almeida, o árbitro algarvio, único representante do Algarve na 1ª Categoria inicia assim a sua época 2011-2012.

A Acção de Formação terá no âmbito os seguintes pontos:
1. Realizar o primeiro teste escrito regulamentar da época; 2. Permitir intercâmbio de experiências e de conhecimentos através de trabalhos e dinâmicas de grupo;
3. Realizar exercícios monitorizados de preparação integrada, física, técnica e mental, e permitir uma aprendizagem prática do que o árbitro poderá fazer em todas as semanas da época desportiva;
4. Executar, no terreno, exercícios que permitam analisar situações concretas de jogo e descobrir o modo de melhorar o desempenho nessas situações;
5. Desenvolver competências ao nível da tomada de decisão;
6. Uniformizar critérios de atuação.

Lista de árbitros e árbitros assistentes presentes:


Árbitros: André Gralha, António Ferreira, Artur Soares Dias, Bruno Esteves, Bruno Paixão, Carlos Xistra, Cosme Machado, Duarte Gomes, Hélder Malheiro, Hugo Miguel, Hugo Pacheco, João Capela, João Ferreira, Jorge Tavares, Jorge Sousa, Manuel Mota, Marco Ferreiro, Nuno Almeida, Olegário Benquerença, Paulo Baptista, Pedro Proença, Rui Silva, Rui Costa, Rui Patrício e Vasco Santos.

Árbitros Assistentes: Alfredo Braga, Álvaro Mesquita, António Godinho, Bertino Miranda, Bruno Almeida, Bruno Silva, Bruno Trindade, Cristóvão Moniz, Fernando País António, Hernâni Fernandes, Inácio Pereira, João Santos, João Dias, João Silva, João Eiras, Joaquim Freitas, Jorge Cruz, Jose Oliveira, Josá Gomes,José Ramalho, José Lima, José Cardinal, José Braga, José Trigo, Luís Campos, Luís Marcelino, Luís Ramos, Mário Dionísio, Miguel Aguilar, Nelson Moniz, Nuno Pereira, Nuno Conceição, Nuno Manso, Paulo Soares, Paulo Vieira, Paulo Ramos, Pedro Garcia, Pedro Neves, Pedro Ribeiro, Pedro R. Ribeiro, Ricardo Santos, Rui Silva, Rui Tavares, Rui Teixeira, Serafim Nogueira, Sérgio Serrão, Tiago Rocha, Tiago Leandro, Tomás Santos, Valter Pereira, Valter Rufo e Venâncio Tomé.

O ARBITRAGEMALGARVIA deseja ao Nuno umas excelentes provas  e uma excelente época.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Massimo Busacca assume o Departamento de Arbitragem da FIFA


A FIFA tem o prazer de anunciar a nomeação de Massimo Busacca como novo chefe do seu Departamento de Arbitragem. Tendo recentemente encerrado a carreira nos gramados, o ex-árbitro suíço passará a integrar o time da entidade máxima do futebol a partir do dia 1º de agosto de 2011.

"Como já disse em diversas ocasiões, a arbitragem é uma das minhas grandes prioridades", comentou o Presidente da FIFA, Joseph S. Blatter. "A experiência de Massimo Busacca será muito útil à nossa missão e aos nossos esforços de levar adiante o trabalho de base que temos realizado com as confederações e as federações afiliadas nesta área particularmente importante", acrescentou.

Durante os mais de 20 anos de carreira como árbitro, incluindo 12 no cenário internacional, Massimo Busacca apitou duas edições da Copa do Mundo da FIFA, em 2006 e 2010, além da Eurocopa 2008. Ele também comandou a final da Liga dos Campeões da UEFA em 2009, a decisão da Copa da UEFA em 2007 e a Supercopa da UEFA em 2010. Somam-se a isso mais de 250 partidas do Campeonato Suíço.

Busacca, que tem 42 anos, é casado, fala cinco idiomas (italiano, inglês, francês, alemão e espanhol) e é membro da Task Force Football 2014 da FIFA, presidida por Franz Beckenbauer.

"Aprendi muito durante os anos que dediquei à arbitragem", afirmou o novo chefe do Departamento de Arbitragem da FIFA. "Agora, pretendo passar esse conhecimento aos meus colegas de profissão para garantir uma arbitragem cada vez melhor e ajudar a prepará-la para o futuro. É um ofício pelo qual sou apaixonado, e um papel que aceitei com grande orgulho e satisfação. Gostaria de agradecer a confiança que a FIFA depositou em mim."

In:fifa.com

terça-feira, 12 de julho de 2011

AFAlgarve felicita árbitros e observadores

A Direcção da AF Algarve, recentemente empossada, decidiu na sua primeira reunião, aprovar, por unanimidade, um voto de felicitações a todos os árbitros e observadores que na época finda alcançaram resultados de relevo, contribuindo, com os seus sucessos, para o engrandecimento e o prestígio do futebol e do futsal da nossa região.

Vivemos uma campanha notável no sector da arbitragem, com a conquista de quatro primeiros lugares em diferentes escalões nacionais e outras classificações de grande significado, na tradução prática da valia e da dedicação dos árbitros e dos observadores algarvios.

Andrelino Pena terminou a época no primeiro lugar entre os observadores da Liga, cotando-se como o melhor do país naquela actividade, algo que constitui, sem dúvida, um feito assinalável. Também no futsal tivemos um observador colocado no primeiro lugar do escalão máximo, António Pincho, com o Algarve a surgir, assim, no topo das classificações de observadores nas duas modalidades.

Destaque ainda para o excelente desempenho de Sílvia Domingos, primeira classificada do quadro feminino, cotando-se como a melhor árbitra do país e também a melhor de sempre do Algarve, graças a diversos registos de grande significado obtidos nas últimas temporadas.

O primeiro lugar de Nuno Almeida na segunda categoria nacional leva a que, após um vazio de quatro anos, o Algarve volte, em 2011/2012, a estar representado na categoria principal da arbitragem nacional, no futebol, sendo assim concretizada uma das principais metas traçadas para a arbitragem da nossa região.
Numa época de grande brilho, o Algarve contou ainda com dois árbitros (Rui Pinto e Hélder Carmo) entre os dez primeiros da categoria principal de futsal.

A Direcção
12 de Julho de 2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Duarte Gomes: "Sou adepto do Benfica" (Exclusivo Relvado) - Actualizada

Na primeira parte da entrevista ao Relvado, o árbitro de Lisboa reconhece ainda que errou ao não expulsar Belluschi, que lhe deu uma "peitada" no Braga-FC Porto da época passada.
Duarte Gomes, um dos árbitros portugueses mais conceituados e quinto classificado na temporada passada, deu uma entrevista ao Relvado na qual respondeu a todas as questões. Revelou que é adepto do Benfica e também explicou algumas das suas polémicas decisões na temporada passada. Não duvida do seu acerto quando expulsou o sportinguista João Pereira no jogo com o Portimonense e reconhece que errou quando não tomou a mesma decisão em relação a Belluschi, médio do FC Porto que lhe deu uma "peitada" em partida com o Sporting de Braga.

Leia a primeira parte da entrevista do árbitro lisboeta ao Relvado.

Relvado - Os árbitros raramente assumem o seu clube. Podemos saber qual é o seu?
Duarte Gomes - Sim, sem problema nenhum. Comecei a arbitrar com 18 anos e não tenho culpa nenhuma de nessa idade já ser um ser humano e ter as minhas opções bem definidas a nível pessoal, profissional e desportivo. Sou adepto do Benfica. Sempre fui... Nunca o neguei sempre que me foi solicitado o preenchimento de questionários relacionados com arbitragem. Mas suspendi as minhas quotas de sócio do Benfica a partir do momento em que passei a ser árbitro.
Enquanto adepto sou benfiquista, mas como árbitro sou só árbitro. O Presidente da República é o presidente de todos os portugueses, mas é do PSD... O Luís Filipe Vieira é um bom presidente do Benfica e foi um excelente presidente do Alverca. O Simão Sabrosa jogou no Benfica de corpo e alma e fez toda a sua formação no Sporting. Ou seja, o profissionalismo das pessoas não pode colocar em causa as suas opções pessoais. Mas há muitas pessoas que o árbitro, por ser de determinado clube, o vai beneficiar, ou pior ainda, o vai prejudicar para mostrar que é sério.
Já fiz jogos do Benfica que o clube ganhou, empatou e perdeu. Já tive erros a favor e contra claríssimos, isso faz parte do futebol. Quem não deve não teme!

R- Na época passada, expulsou João Pereira, jogador do Sporting, depois deste o ter insultado, como de resto é bem visível nas imagens televisivas. Mas não fez o mesmo quando Belluschi, jogador do FC Porto, lhe deu uma "peitada" num encontro com o Sporting de Braga. Quer explicar porque tomou duas decisões diferentes?
DG - Em cada momento, o árbitro toma a decisão que entende que tem de tomar, que é apropriada. Numa das situações, foi muito clara qual foi a linguagem usada. E felizmente que as imagens televisivas o confirmam, senão era acusado se ser persecutório. A televisão às vezes também ajuda os árbitros, sabe? Tenho de definir a linha entre o que é um desabafo e a frustração do jogo e o que é injúria direta, ofensiva e ordinária, o que aconteceu nesse caso. Quem se sinta incomodado com essa decisão, lamento. Mas se voltar a acontecer uma situação do género com qualquer outro atleta, tomarei medida igual.
Em relação ao Belluschi, reparei na televisão que fiz uma má gestão da situação. É um caso claro de um erro... Mas no campo, a minha perspetiva é diferente. Na altura, vou preparar-me para advertir um jogador, que não o Belluschi, este coloca-se no meu caminho e tenho a certeza que fui eu que provoquei o primeiro contacto. E ao fazê-lo, recebo um contacto do jogador. O que eu penso é: 'aguenta-te que tu é que foste à pancada'. Mas reconheço que a imagem que aparece na televisão é diferente e que fiz uma análise errada.

R - Há duas épocas, empurrou Ricardo Peres, treinador de guarda-redes do Sporting, quando esta orientava os exercícios de aquecimento de Rui Patrício, antes de um jogo. O que se passou? Já voltou a cruzar-se com ele?
DG - Foi um momento de alguma intensidade emocional das duas partes, num contexto em que o Sporting criava uma pressão enorme para cada érbitro que ia a Alvalade. Felizmente já não o faz... Essa pressão era criada por dirigentes, técnicos e adeptos. Havia ali a ideia que o Sporting era perseguido pelos árbitros e isso era muito alimentado pelos media.
Houve um conjunto de coisas que foram ditas no momento do aquecimento dos árbitros que não caíram bem e foi o que se viu... Hoje em dia não faria nada daquilo. Mas sabe que os árbitros, tal como os jogadores e os treinadores, também são homens e não estão livres de expressar as suas emoções, embora tenham de saber geri-las. Neste caso, não soube gerir as minhas emoções, mas está ultrapassado.


"Não é o dinheiro que move os árbitros"
Árbitro de Lisboa defende a profissionalização de forma acérrima, mas esclarece que as razões económicas não são a principal preocupação.
Na segunda parte da sua entrevista ao Relvado, Duarte Gomes aborda o quinto lugar na classificação dos árbitros portugueses, reconhecendo que o primeiro foi muito bem empregue a Pedro Proença. Defende a profissionalização no setor e confessa não ter paciência para os programas futebolísticos de debate na televisão, onde se passam horas a analisar a atuação dos juizes.

Relvado - Acha que o quinto lugar que obteve na época passada foi justo?
Duarte Gomes - As classificações refletem sempre de uma forma mais ou menos objetiva o que é o nosso trabalho, de acordo com os observadores e de outros fatores de menor importância, como os testes físicos e escritos. Aceito a classificação e honestamente acho que foi justa. Não tive uma temporada isenta de erros e dificilmente o pode ser. Alguns desses erros tiveram maior impacto mediático... A entrega e a dedicação é sempre a mesma, tal como a concentração, mas muitas vezes há jogos que não nos correm bem, tal como acontece com os jogadores.
R - Concorda com o primeiro lugar de Pedro Proença?
DG- Foi um excelente vencedor, sem dúvida que mereceu este prémio. A mim, resta-me trabalhar para na próxima época fazer mais e melhor.

R - É difícil ser-se árbitro em Portugal?
DG - Não mais do que em outros países latinos, que têm uma cultura desportiva muito apaixonada. Mas por exemplo, o futebol turco e o futebol grego são muito mais agressivos que o português. Somos um país com as suas características e que tem o seu escape no futebol, com as pessoas a desabafarem e a expressarem as suas emoções. Mas isso é desafiante e não difícil.

R -Como analisa alguns programas da televisão portuguesa em que se passam horas e horas a analisar os casos de arbitragem da jornada?
DG - Deixei de ver esses programas, porque percebi que tinha coisas mais importantes para fazer. A arbitragem tem erros e não podemos tapar o sol com a peneira. Mas são erros tão ou mais importantes como o que os jogadores, treinadores e presidentes cometem. Só que na arbitragem põe-se logo a tónica no erro deliberado. E como isso me incomoda, mudo de canal, onde sei que ninguém se está a desculpar com a arbitragem. Mas é um pouco o reflexo da nossa cultura desportiva.

R- Voltando à classificação dos árbitros, como explicar que Olegário Benquerença seja nomeado para apitar uma meia-final da Liga dos Campeões e em Portugal seja...19º classificado?
DG - Bom, é complicado para mim falar da classificação dos colegas, até porque ela é feita com base em muitas variáveis. O Olegário Benquerença tem provas dadas a nível internacional, é um dos árbitros que mais merece a confiança da FIFA e da UEFA, o que atesta da sua qualidade e da sua competência, pois os critérios desses organismos são muito apertados e rigorosos. Se eventualmente as coisas não correram como ele queria, de certeza que na próxima época as coisas vão melhorar. Apesar de tudo, a classificação é apenas um "ranking" de estados de forma sucessivos. Não põem em causa a qualidade de um árbitro.

R - O público não percebe algumas notas que são atribuídas aos árbitros, tendo em conta a prestação que foi visível. Concorda com os critérios usados pelos observadores?
DG - Eu percebo essa dificuldade, por isso é importante fazer alguns esclarecimentos... Em cada jogo, nós temos notas de 1 a 5. De 4 para 5, são muito raras, são patamares de excelência, tendo em conta a dificuldade do jogo. O 2,8 ou 2,9, que podem ser classificadas como satisfatórias, são notas terríveis para os árbitros. O 3,1 ou 3,2, sendo positivas, são igualmente muito penalizadoras. As notas médias são apenas de 3,4, 3,5 para cima. Quem tiver para baixo, está já em prejuízo em relação aos colegas.

R - É a favor da profissionalização dos árbitros?
DG - Sim, sem dúvida. É o caminho inevitável e essa é uma ideia comum a todos nós. Não podemos ser os únicos amadores numa estrutura profissional. Por sucessivas mudanças de governo ou questões de índole financeira - que também não são o cerne da questão - a profissionalização não tem avançado. Não existe grande vontade de quem dirige em montar esse projeto, o que é pena. Não é o dinheiro que move os árbitros, mas apenas ter mais tempo para treinar e menos para aborrecimentos de outra ordem, nomeadamente gestão de horários com o nosso outro emprego. Ou treinar a seguir ao trabalho quando este tiver sido muito desgastante. Ou falhar um treino por causa de uma reunião...Ou a ir a correr para um jogo...
Para se ter uma ideia, apitei um Boavista-Aves que acabou por dar o título ao Boavista, em 2000/01, depois de sair do trabalho às seis da tarde. Fui a "voar" até ao Porto! Não faz sentido o futebol profissional ter um árbitro com esta responsabilidade que seja amador. E não confundam este nosso desejo com o facto de querermos ganhar mais dinheiro.

R - Quanto ganha um árbitro na Liga portuguesa atualmente e quanto passará a ganhar quando a profissionalização avançar?

DG - Em valores brutos, ganhamos 1100 euros. Mas as despesas como almoços e jantares são por conta dos árbitros. Se tirarmos o IRS e mais 100 euros de refeições e outras despesas, o valor líquido andará em torno dos 600 ou 700 euros. Quando a profissionalização avançar? Ainda não há valores discutidos. O que temos em cima da mesa são projetos, apenas. O dinheiro nunca foi uma questão relevante.

R - Qual é a sua profissão? É muito difícil geri-la com a carreira de árbitro?
DG - Tirei o curso de Direito, mas sou bancário. É complicado... Tive de chegar a um acordo com a minha entidade patronal para ter um horário mais reduzido. E hoje em dia há jogos do campeonato à segunda, à sexta... E das competições europeias à terça, quarta, quinta... Houve uma gestão que tive de fazer, com grande sacrifício pessoal. Mas autoprofissionalizei-me, de modo a ter mais tempo para dedicar à arbitragem. A estrutura não fez, tive de ser eu próprio, com o sacrifício daí inerente.

"Sou um árbitro mediano"

Na terceira e última parte da sua entrevista ao Relvado, Duarte Gomes garante que nunca o tentaram subornar, mas conta o episódio em que um dirigente foi particularmente ameaçador. Considera-se apenas um árbitro mediano, confessa que se motiva quando é insultado pelo público e revela-se a favor da introdução de um único meio tecnológico: o chip na bola ou na linha de baliza.


Relvado - Já recebeu uma "proposta indecente" de algum clube?

Duarte Gomes- Honestamente, não. Tive uma vez a situação de um telefonema pós-jogo, da parte de um presidente de clube, há 8 ou 9 anos. Em tom ameaçador, disse-me que a arbitragem tinha sido uma vergonha. Desliguei o telefone e dei conhecimento imediato do telefonema ao presidente do Conselho de Arbitragem. Mas nunca tive qualquer proposta pré-jogo, nem qualquer tipo de suborno. Acho que isso hoje em dia está fora de questão, pois existe muito receio das escutas, as pessoas têm medo de ser apanhadas. Ao menos o Apito Dourado foi bom nessa questão, porque foi preventivo, mesmo não tendo sido punitivo.

Há uns anos atrás notava-se uma excessiva simpatia quando a equipa de arbitragem chegava ao balneário. Era do género 'se eu for simpático, pode ser que me beneficies'. E depois, muita azia se as coisas não corriam bem... Mas isso acabou quando as pessoas começaram a perceber que se ganha tanto em casa como fora e que os jogadores são expulsos em casa e fora. E esta geração de árbitros tem tido um contributo importante para a mudança de mentalidades.

R - Pode saber-se qual foi esse presidente que o ameaçou?
DG - Honestamente, não me parece necessário. Até porque esse senhor já não está nesse clube, que continua muito bem e a ser bastante respeitável. O senhor saiu pouco tempo depois, de forma um pouco forçada. Era alguém que pensava que as coisas ainda se resolviam à moda antiga...

R - Os clubes portugueses ainda oferecem presentes aos árbitros?

DG - No início da minha carreira na I Liga, ainda havia alguns clubes com algumas ofertas simbólicas. Por exemplo galhardetes, pequenas medalhas ou pratos da Vista Alegre. Mas isso foi-se esbatendo e eu há muitos anos que não tenho qualquer abordagem nesse sentido. Apenas um ou outro galhardete, ou a camisola de algum jogador, o que é perfeitamente normal. As relações entre os árbitros e os clubes devem ser de cortesia, mas puramente institucionais. Qualquer tipo de aproximação no contexto atual do futebol, não é ainda possível.


R - Os árbitros estudam os jogos com cada vez maior cuidado, nomeadamente os jogadores que vão encontrar. No seu caso, como se processa esse estudo?

DG - Tenho cuidado, mas um cuidado amador. Consigo disponibilizar alguma parte do meu tempo para procurar munir-me das ferramentas necessárias... Nós conhecemos os jogadores, mas não podemos criar um preconceito em relação a eles. Um jogador que tem um historial de simulações, pode mesmo ser derrubado dentro da área... É importante conhecê-los, mas não podemos fazer juízos de valor e essa linha é muito ténue e difícil de distinguir.Temos de saber quem são os jogadores mais refilões, os mais rápidos, quem tem mais técnica, etc... Mas é importante, tendo essa ferramenta, saber aplicá-la de forma correta.


"Motivo-me quando sou insultado"


R - Qual é o estádio mais complicado para os árbitros portugueses, ou pelo menos para si em particular?

DG - Motivo-me quando sou insultado. Por isso, os estádios que mais gosto são esses, onde ouço mais ruído. O pior para mim é quando não tenho gente nos estádios. Por exemplo, os campos do União de Leiria, do Belenenses, do Beira-Mar, da Naval... são estádios tenebrosos para quem está a arbitrar e a jogar. Quando não há ruído e festa e quando ouço o eco do meu apito é difícil concentrar-me.


R - Em que aspetos considera que pode melhorar como árbitro?

DG - Sou um árbitro mediano e isso não é falsa modéstia, pois seria vaidade. Tenho colegas com qualidades inatas melhores e por outro lado, sou muito crítico em relação às minhas atuações. Mesmo que sejam erros pouco visíveis, eu acho que posso fazer melhor. Nomeadamente ao nível da colocação no terreno e coordenação com os colegas. Diria que tenho de trabalhar muito a nível da colocação. Isto porque muitas vezes quero estar próximo dos lances e sou apanhado no meio das jogadas, por exemplo quando há jogadas de contra-ataque. E é difícil para nós acompanhar uma mudança de ritmo, não estorvando a jogada.

Infelizmente, já cometi muitos erros ao longo da minha carreira, alguns evitáveis, outros nem por isso. Mas mais do que a realização em termos classificativos, o meu objetivo é superar-me e tentar estar cada vez mais concentrado a cada jogo. Tento fazer uma boa gestão no relacionamento com os jogadores. Tento compreender os seus estados de espírito em cada momento, tentando aplicar a lei no meio disto tudo. Por vezes, não é fácil, mas é desafiante.

R - É defensor de equipas de arbitragem fixas ou entende que deve haver alguma rotação?

DG - Neste momento, depois de termos experimentado rotação num período bastante vasto, sou a favor de equipas fixas. A cumplicidade de uma equipa que trabalha diariamente é a mesma que existe numa equipa de futebol que atua junta há vários anos... E se trocarmos de elementos, por muito bons que eles sejam individualmente, a equipa não funciona. Nas equipas fixas, quando olhamos um para o outro, já sabemos o que ele está a pensar.

R - É a favor da aplicação dos meios tecnológicos no futebol? Se sim, de quais?

DG - Sou a favor de tudo o que pode ajudar o futebol, mas que não retire a humanidade da modalidade. Falamos muito na televisão e na repetição de imagens. Mas as pessoas têm de pensar: se um jogo pára para se ver uma repetição três ou quatro vezes, há uma grande quebra de ritmo. E essas imagens podem suscitar opiniões diferentes de quem as analisa. Um sportinguista, um benfiquista ou um portista não analisam os lances da mesma forma, mesmo na televisão. E depois, o ónus da culpa seria para quem decidisse na televisão. A introdução da televisão não beneficia o futebol.

O que me parece inevitável é a questão do chip na linha de baliza. Essa é uma das piores decisões que temos de tomar. Só quem está literalmente na direção da linha de baliza é que consegue dizer a 100 por cento que a bola ultrapassou o poste e por isso entrou. É impossível o árbitro consiguir ver. Quanto ao assistente, está preocupado com o fora-de-jogo e por isso colocado três ou quatro metros atrás. Está a ver na diagonal e nunca vai ter a perceção real da situação. É um erro gravíssimo, com influência no resultado e que nós agradecíamos que nos tirassem das costas, pois não temos condições nenhumas para avaliar.


R - Se fosse possível escolher o melhor e o pior jogo da sua carreira, quais seriam?

DG - Ao contrário do que as pessoas possam pensar, não escolho os jogos mais mediáticos. Com uma carreira de 20 anos de arbitragem, 14 dos quais na I Liga, tenho muito por onde escolher... O jogo mais marcante foi a minha estreia como árbitro, na altura assistente de António Marçal. Foi em Outubro de 1991, tinha 18 anos. Foi um encontro de iniciados, na Boa Hora. O jogo mais marcante pela negativa foi um que...quase arbitrei, há dois anos. Foi a final de um torneio particular. no CIF. Tive reações de tal forma adversas dos jogadores que aos 20 minutos entreguei o meu apito e vim-me embora. Foi a única vez que desisti de um jogo. Hoje em dia, talvez não fizesse isso, mas teria de ter expulso uma série de jogadores...


In:Relvado