sábado, 30 de julho de 2011

“Combati o preconceito e tenho tanta ou mais capacidade que os homens”, Sílvia Domingos

Quadro feminino: 1.ª classificada
SÍLVIA Andreia Rosa DOMINGOS
28 anos
Natural de Faro
Época de início de actividade: 1999/2000

Qual a sensação provocada por este sucesso?
A sensação é muito boa é uma alegria enorme de ter conseguido o meu objectivo.


O primeiro lugar era uma meta traçada e esperada?
Sim Era já há muito tempo um objectivo até porque nestes últimos anos tenho ficado sempre entre as cincos primeiras por isso sempre pensei que um dia o primeiro lugar haveria de ser meu. Curiosamente, tive essa esperança de forma mais convicta noutras temporadas, pois esta foi muito atribulada: parti um pulso no início da época e estive inactiva três meses e depois contrai outra lesão mas com a minha força de vontade e com o apoio dos meus assistentes (Luís Reis e José Rodrigues) não baixei os braços e dei o melhor em cada jogo como dou sempre quando entro num campo para arbitrar. Mas não estava nada à espera...

Quais as principais dificuldades vividas não apenas ao longo da época mas neste percurso de dedicação à arbitragem?
As dificuldades de por vezes não conseguir conciliar os treinos com o horário de trabalho, a dificuldade de não ter tempo para a família e para os amigos... Mas neste momento posso dizer todas estas dificuldades já deixaram de existir, pois treino todos os dias e a família e amigos sabem que eu sem a arbitragem não sou feliz e, por isso, apoiam-me incondicionalmente.

A arbitragem tem sido ao longo dos tempo um reduto quase exclusivamente masculino. Como se combate o preconceito?
Inicialmente posso dizer que foi muito complicado verem com bons olhos uma mulher dentro de um campo de futebol arbitrar um jogo de homens. Ouvi muitas expressões do género “vai lavar louça para casa, vai coser meias”, entre outras. Por vezes chegava ao balneário e dizia para mim mesma: este foi o último jogo que apitei, não estou para continuar a ser insultada. Mas acabei por combater o preconceito e, ao não  desistir, mostrei que sou tão capaz ou melhor que alguns árbitros homens e que ser mulher não me coloca  numa posição de inferioridade. Hoje sinto que me respeitam mais e que me aceitam melhor e que já não faz tanta confusão ver uma mulher a dirigir um jogo e essa é, no Algarve, uma das vitórias que consegui, no Algarve, foi essa.

Quais os principais sonhos e metas, agora que foi dado este importante passo? A internacionalização é a etapa seguinte?
Todos nós árbitros temos sempre o sonho de chegar ao topo e o meu maior sonho é ser árbitra internacional e apitar a final de um Mundial de futebol feminino. A meta neste momento passa por concluir as provas físicas e escritas de início de época e defender o meu primeiro lugar ao longo da campanha que se avizinha. Sim, será a internacionalização a próxima meta mas tento não pensar muito nisso e continuar a trabalhar como tenho trabalhado ate aqui, com humildade e com a ajuda dos meus assistentes. Se chegar a  internacionalização melhor; senão, continuarei em frente com a mesma atitude e vontade que tenho tido até agora, mas é evidente que este primeiro lugar faz-me sentir mais próximo desse sonho...

Qual o olhar sobre o panorama da arbitragem algarvia? Temos valores para acreditar num futuro risonho?
A arbitragem algarvia têm muito bons árbitros á que acreditar neles e dar-lhes condições para trabalhar.

E a nível nacional, como estamos?
A arbitragem algarvia está muito bem representada a nível nacional. Há uma grande dedicação à causa e os resultados da última época traduzem isso.

Qual o seu árbitro de referência?
Jorge Sousa.

In:Revista AFAlgarve

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