terça-feira, 27 de março de 2012

Árbitros preocupados: «Por favor, respeitem-nos!»

Artur Soares Dias e Pedro Proença falaram em nome dos árbitros para reconhecer que existe um sentimento de preocupação na classe. A divulgação de dados pessoais colocou as próprias famílias dos juízes em risco. As ameaças subiram de tom.

«Erros existem sempre, vejo jogadores a falhar passes, a marcar golos na própria baliza, mas só vejo a imprensa, os treinadores e tudo o resto a falar dos árbitros. Não consigo perceber», começou por dizer Soares Dias.

À margem da gala do jornal O Gaiense, o árbitro nortenho lamentou a situação atual. «O campeonato continua empolgante e só lamento que o futebol esteja cada vez mais a ser estragado. Situações como estas que se estão a assistir, de falta de privacidade, chegar as famílias dos árbitros, é inadmissível e estraga o futebol em geral.»

«Não sei o que pode acontecer no limite. Sinto que a minha família está ameaçada e isso é o que me preocupa», frisou, garantindo: «Acho que o ponto já é muito grave mas nunca ponderei deixar de arbitrar.»

Artur Soares Dias comentou ainda o cenário de greve e deixou um apelo. «Não sei se é o cenário que pode acontecer, está tudo em cima da mesa. É intolerável, é inadmissível. Por favor, respeitem os árbitros! Mais que isso, respeitem a família dos árbitros.»

«É um caso de polícia»

Pedro Proença alinhou pelo mesmo diapasão. «Esta situação é um caso de polícia. Isto não é confortável, nem como árbitros nem como pessoal. Quero apelar à calma e à tranquilidade. Acho que, enquanto árbitro de futebol, não me preocupa que o meu trabalho seja avaliado. Mas quando se chega ao plano pessoal, chegou-se ao limite da razoabilidade.»

«Muitas das vezes, é mais fácil aos dirigentes não assumir as suas próprias responsabilidades. Preferem responsabilizar aos árbitros. Espero que as críticas se cinjam ao plano desportivo», afirmou o árbitro.

O juiz de Lisboa não descarta uma posição mais dura se o cenário se agravar: «Ponderarei, muito seriamente, o que vou fazer se se chegar a esse limite.»

«Os erros têm sido os mesmos. O que não acontecia há muitos anos é haver três equipas a discutir o título nesta altura. Isso provoca um certo nervosismo dos dirigentes», concluiu Proença.

In:MaisFutebol

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